Por que quase todo carro chinês tem motor 1.5: a resposta está nos impostos, não na engenharia
Uma combinação de tributação agressiva e economia de escala explica a unanimidade dos motores 1.5 sob o capô dos carros vindos da China.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
Quem olha para o mercado de carros chineses percebe rapidamente uma coincidência suspeita: praticamente todos usam motor 1.5. GWM Haval H6, BYD Song Plus, modelos da Caoa Chery — a lista é longa e a cilindrada é sempre a mesma. A Quatro Rodas investigou o fenômeno e a conclusão é direta: a escolha tem muito mais a ver com impostos do que com preferência de engenharia.
Segundo a Quatro Rodas, a China e boa parte dos países do Sudeste Asiático punem duramente motores acima de 1.500 cm³. Um veículo exportado da China para parceiros do bloco Asean paga apenas 5% de tarifa se o motor não ultrapassar esse limite — mas salta imediatamente para 30% caso ultrapasse um único centímetro cúbico. Essa diferença brutal forçou as montadoras a concentrar todo o esforço de pesquisa e desenvolvimento em um único tamanho de bloco, espremendo o máximo de potência dos 1.5, aspirados ou turbinados.
A história desse padrão, aponta a Quatro Rodas, remonta aos anos 1970. A joint-venture entre Toyota e FAW começou a produzir motores 1.3 e 1.5 na China a partir de 2000, baseados na família 8A da Toyota — projeto de 1978 criado para o Corolla. Paralelamente, a Mitsubishi cedeu os direitos de produção dos motores Orion 4G15 (1.5) e 4G18 (1.8), originalmente desenvolvidos para o Lancer, para diversas fabricantes chinesas. BYD e Chery, por exemplo, usaram os motores Orion antes de desenvolverem seus próprios propulsores — que, não por acaso, também são quatro cilindros 1.5. A herança persiste até hoje: a Quatro Rodas destaca que o motor 1.5 EcoBoost do Ford Territory fabricado na China e o GW4B15 dos GWM Haval H6 vendidos no Brasil são derivados diretos do Orion da Mitsubishi.
O resultado prático dessa convergência é uma economia de escala sem precedentes. Com décadas de produção acumulada e projetos amplamente amortizados, as fabricantes chinesas conseguem investir em turbocompressores modernos, injeção direta e novos processos de usinagem sem elevar o custo final — o que, segundo a Quatro Rodas, ajuda a explicar os preços agressivos praticados por essas marcas no mercado global.
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