Mercado de veículos perde fôlego em agosto com queda nos usados e crédito mais difícil
Emplacamentos de zero-quilômetro ficaram estáveis, mas usados recuaram 3,1% e inadimplência cresceu, segundo dados preliminares da Anef.
Toque pra navegar · resumo gerado dos dados da matéria
O mercado automotivo brasileiro deu sinais de esgotamento em agosto. Segundo dados preliminares da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef), os emplacamentos de veículos zero-quilômetro somaram 504.232 unidades no mês — praticamente o mesmo volume de julho, com variação negativa de apenas 0,1%. O desempenho acumulado de janeiro a agosto, porém, ainda supera em 15,3% o registrado no mesmo período do ano anterior, o que indica que o freio foi puxado depois de meses de avanço consistente.
O segmento de usados foi o que mais sentiu o baque. Conforme aponta a Anef, as negociações recuaram 3,1% em relação a julho, totalizando 1.699.475 unidades. Os veículos mais velhos sofreram o maior impacto: modelos com nove a 12 anos de uso registraram retração de 4,1%, enquanto os de quatro a oito anos caíram 3,8%. Os seminovos, com até três anos de uso, praticamente seguraram a posição, com queda de apenas 0,1%.
A Anef também identificou aumento da inadimplência tanto entre pessoas físicas quanto entre empresas. Com mais atrasos nos financiamentos, bancos e financeiras passaram a analisar os pedidos com critério mais rigoroso — o que, na prática, fechou as portas do crédito para parte dos consumidores. Dados analisados pela Acrefi confirmam esse comportamento mais cauteloso das instituições financeiras diante do nível atual de juros e do risco de calote.
No campo da concorrência, o presidente da Anef, Enilson Sales, avalia que a chegada de novas marcas e a expansão dos elétricos e híbridos ajudaram o mercado a crescer ao longo do ano, mas também espalharam as vendas por mais fabricantes, pressionando as montadoras tradicionais. Com incertezas econômicas tanto no Brasil quanto no exterior, agosto deixou um recado claro: o ritmo acelerado do início de 2026 deu lugar a uma marcha mais comedida.
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