Geely investe US$ 95 milhões na rede de troca de baterias da Nio e as duas montadoras vão desenvolver EVs compatíveis com o sistema
Acordo prevê participação de 30% da Geely na operação de swap da Nio e meta de 10 mil estações até 2030; movimento ocorre em meio à retração do mercado chinês e a uma onda de consolidações no setor
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Duas das maiores montadoras chinesas estão unindo suas infraestruturas de energia elétrica em um movimento que pode redefinir o mercado de veículos elétricos no país. Segundo o Notícias Automotivas, a Geely decidiu investir na rede de estações de troca rápida de bateria da Nio, com o objetivo de lançar futuramente modelos elétricos próprios compatíveis com esse sistema.
Os detalhes financeiros do acordo foram revelados pelo Jornal do Carro (Estadão): a Geely pagará US$ 95 milhões por uma fatia de 30% no negócio de swap da Nio. Em contrapartida, a Nio ficará com 10% da divisão de carregadores da Geely, que deverá somar 22 mil estações até o fim do próximo ano. A empresa resultante da combinação das operações de troca de baterias tem como meta chegar a 10 mil pontos instalados até 2030, ainda de acordo com o Jornal do Carro.
A lógica por trás da parceria, conforme aponta o Notícias Automotivas, é simples: em vez de cada fabricante construir sua própria infraestrutura do zero, compartilhar estações reduz custos e acelera a expansão da cobertura geográfica. A Nio já opera centenas de pontos de swap pela China, onde o processo de substituição da bateria descarregada por uma carregada leva menos de cinco minutos — tempo muito inferior ao de qualquer carregador rápido convencional. O Jornal do Carro acrescenta que mesmo um carregador ultrarrápido precisa de cerca de oito minutos para repor 80% da carga, o dobro do tempo da troca.
Para a Geely, o acordo representa um atalho estratégico relevante. De acordo com o Notícias Automotivas, a montadora — que controla marcas como Volvo, Polestar e Zeekr — ganha acesso imediato a uma malha de recarga já consolidada sem precisar arcar sozinha com os bilhões necessários para montar estrutura equivalente. Já a Nio se beneficia ao diluir os custos operacionais das estações com um parceiro de peso e aumentar o volume de veículos que utilizam sua tecnologia. Juntas, as duas companhias venderam 1,3 milhão de veículos elétricos a bateria ou híbridos plug-in no primeiro semestre de 2026, segundo o Jornal do Carro.
O Jornal do Carro aponta ainda que o acordo vai além da infraestrutura: as empresas pretendem coordenar o desenvolvimento de veículos relacionados às tecnologias de troca e recarga, o que representa um passo concreto em direção à padronização da fabricação de baterias na indústria chinesa.
O movimento acontece em um contexto de forte pressão sobre o setor automotivo da China. Conforme destaca o Jornal do Carro, o país enfrenta hoje um excesso de capacidade industrial sem precedentes — há fábricas suficientes para produzir todos os carros vendidos no mercado interno e ainda suprir toda a produção dos Estados Unidos e da Europa. Para piorar, as vendas domésticas recuaram 20,8% nos primeiros oito meses de 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, reflexo da queda no consumo das famílias afetadas pela desvalorização dos imóveis. "Há simplesmente montadoras demais na China — fusões, aquisições e reestruturações serão uma tendência daqui para frente", afirmou David Zhang, professor visitante da Huanghe University of Science and Technology, em Zhengzhou, ao Jornal do Carro.
A parceria entre Nio e Geely não é um caso isolado. O Jornal do Carro lembra que, duas semanas antes do anúncio, a GAC já havia revelado planos de associação com a FAW, outro grande grupo automotivo chinês — mais um sinal de que a consolidação do setor ganhou velocidade.
O movimento reforça uma tendência crescente na indústria automotiva chinesa de padronização e compartilhamento de infraestrutura elétrica, algo que países ocidentais ainda engatinham em discutir. Se a iniciativa prosperar, a pressão sobre montadoras que apostam exclusivamente em carregadores plug-in deve aumentar consideravelmente.
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