Europa torna câmera interna obrigatória em carros novos; casos de GM, Honda e Hyundai acendem alerta sobre privacidade
Regulação europeia exige monitoramento do motorista a partir de agora, mas escândalos de coleta de dados por montadoras mostram por que o tema divide opiniões.
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A cabine dos automóveis vendidos na União Europeia ganhou um novo inquilino fixo: uma câmera voltada para o motorista. Segundo o portal Notícias Automotivas, a regulação europeia passou a exigir o chamado ADDW (Advanced Driver Distraction Warning), sistema que monitora sinais de distração e sonolência ao volante e que, para funcionar, depende de uma câmera apontada diretamente para o condutor. A medida vale para modelos novos homologados a partir de agora no bloco.
O objetivo declarado é salvar vidas reduzindo acidentes causados por falta de atenção — e há mérito técnico nisso. Mas, como aponta o Notícias Automotivas, o timing da obrigatoriedade não poderia ser mais delicado: nos últimos anos, montadoras como GM, Honda e Hyundai foram flagradas coletando dados de comportamento de direção de seus clientes sem consentimento claro, informações que chegaram a ser repassadas a seguradoras e usadas para reajustar apólices. O caso da GM, em especial, expôs como telemetria aparentemente inofensiva pode se transformar em ferramenta de vigilância comercial.
É justamente esse histórico que alimenta o ceticismo de parte dos consumidores europeus diante do ADDW. Afinal, se dados de aceleração e frenagem já foram monetizados sem aviso, o que garante que imagens do interior do veículo terão destino diferente? O Notícias Automotivas destaca que a regulação europeia ainda não estabelece com clareza quem pode acessar as gravações, por quanto tempo elas ficam armazenadas e sob quais condições podem ser compartilhadas com terceiros — lacunas que preocupam especialistas em proteção de dados.
O debate chega em um momento em que o carro conectado deixou de ser tendência para se tornar padrão. Fabricantes argumentam que os sistemas são processados localmente e não transmitem vídeo para servidores externos, mas a desconfiança persiste. Para o mercado brasileiro, o episódio serve de antecipação: regulações similares costumam cruzar o Atlântico com alguns anos de defasagem, e a discussão sobre privacidade no automóvel ainda mal começou por aqui.
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